CANOAS-RS – ORGANIZAÇÃO QUE APRENDE

CANOAS-RS

ORGANIZAÇÃO QUE APRENDE: OS CANAIS QUE RECEBEM DEMANDAS POR SERVIÇOS E A RESPOSTA DA ORGANIZAÇÃO.

Por José Augusto Zaniratti, Fevereiro de 2016

Resumo:

Este artigo tem como objetivo demonstrar que a Prefeitura Municipal de Canoas, a partir de suas ferramentas de interação com a população, responde às demandas por serviços, materiais ou informações apresentadas pelos cidadãos. Estas respostas podem ser, inclusive, materializadas através de políticas públicas. Para tanto foi realizado uma pesquisa quantitativa com base nos documentos do órgão responsável pela execução dos principais canais de interação com a população e envolvidos diretamente com as ferramentas. A pesquisa realizada baseou-se em ferramenta de recebimento de demandas, de contato direto, presencial e individualizado com a população. Como é mecanismo de acesso público, foi possível realizar observações diretas “in loco” para fins de registro e sistematização. A partir das respostas às demandas e das políticas implementadas pela Prefeitura Municipal de Canoas, se observa que a administração pública reúne condições para aprender com a população e até mesmo inovar para poder atender às demandas.

Palavras-chave: Política Pública; Organização que aprende; participação popular; administração pública

Abstract: This article aims to demonstrate that the Municipality of Canoas, starting from their interaction tools with the population, responds to the demands for services, materials or information submitted by citizens. These responses may even be materialized through public policy. For that was conducted a quantitative research based on the documents of the body responsible for implementing the main channels of interaction with the population and directly involved with the tools. The survey was based on receiving demands tool, direct contact, face and individualized with the population. As is public access mechanism, it was possible to make direct observations “in loco” for registration and systematization. From the answers to the demands and policies implemented by the Municipality of Canoas, it is observed that the government meets conditions to learn from the people and even innovating in order to meet the demands.

Keywords: Public policy; Learning organization; participation popular; public administration

Introdução:

As organizações, públicas ou privadas, estabelecem relações permanentes e sistemáticas, direta ou indiretamente com a população, com seu público interno e externo, razão de sua existência. Esta relação é exercida através de inúmeros mecanismos, desde a presença física até meios automatizados e informatizados como são as ferramentas na internet. Na relação diária e permanente é gerado um ambiente de interação entre a organização e população. Pela interação é evidente que há troca de informações, dados e conhecimento sobre e fatos antes desconhecidos para ambas as partes. Surgem novas formas de entender o produto ou serviço da organização e, sobretudo, se estabelece meio de compreender a realidade e a própria organização.

Portanto as condições objetivas para constituir aprendizado pela organização podem ser verificadas, desde de que a atitude de apreender exista na prática cotidiana da organização. A Prefeitura Municipal de Canoas, é uma organização governamental, a maior empregadora da cidade de Canoas com 4.746 funcionários, até novembro de 2015 (PREFEITURA DE CANOAS-RS, 2015) e com a responsabilidade de atender uma população estimada de 341.343 habitantes (IBGE, 2015). Ela possui um orçamento anual de mais de 1,2 bilhão de reais (PREFEITURA DE CANOAS-RS, 2015) considerando todos os tipos de receitas.

Nesta organização governamental há ferramentas que ensejam relação, interação direta e indireta com a população entre os baixos e os altos cargos de comando da administração. Sendo assim, é fundamental compreender se há ações efetivas resultantes destas diferentes ferramentas de interação para o conjunto da administração e, ainda, se isso resulta em ação coletiva ou individualizada para a população de alguma forma.

Primeiramente, se busca identificar, quantificar e descrever o funcionamento dos mecanismos usados para a consecução da relação com a população, através dos quais a Prefeitura Municipal de Canoas recebe demandas individuais ou coletivas por serviços ou materiais. Mais adiante é selecionada uma das ferramentas de relação direta com a população para análise das respostas e outros mecanismos usados para responder ou atender à população, identificando o padrão de respostas da Prefeitura para a população em relação às suas demandas. Por fim, são identificas ações no âmbito das políticas públicas, que podem ser consideradas respostas ou soluções apresentadas pelo poder público em relação às demandas da população. As respostas e as ações públicas são mecanismos para verificar se houve aprendizado pela administração pública sobre a realidade apresentada pela população através de suas demandas.

Referencial Teórico:

A organização em tela, trata-se de uma administração pública, municipal, diferente de uma organização privada. Sendo assim se faz necessário identificar os aspectos diferentes entre organizações privadas e governamentais. Uma organização privada, tem entre suas características básicas: proprietários, centro das decisões; objetiva lucro, como base de sua existência; possui produtos ou serviços, objeto central de sua ação econômica; tem um público consumidor, os clientes que consomem seus produtos; e tem concorrentes, por isso está submetida a competição entre elas e mais, podem interferir no resultado da outra organização de forma direta.

Uma organização pública, no caso uma Prefeitura, tem diferenças: não visa o lucro. Mas também é verdade que visa, assim como as organizações privadas, resultado intangível como satisfação da população; aprovação de seus apoiadores; reputação e aprovação do governo entre os eleitores; prestígio para si, enquanto governo, enquanto partido e em quanto indivíduos agentes de representação deste próprio governo. Este resultado pode advir de sua capacidade de governar, do desenvolvimento da cidade, de obras significativas, de ações que tenham beneficiado a população. Portanto não obtém lucro, na forma de capital vindo de mais-valia absoluta, isto é, diferença entre o valor pago em salário e o resultado final do trabalho para produzir algo (produto ou serviço). Mas obtém prestígio, ativo intangível, que podem ser transformados em vantagens para os responsáveis por estes resultados. A organização Prefeitura possui inúmeros serviços como na saúde, educação, desenvolvimento social, limpeza pública, regulamentação de construções, do meio ambiente e tantos outros. Se pode também considerar seus produtos obras que realiza, pois, são equipamentos de consumo coletivo, isto é, a população, de forma conjunta e coletiva, utiliza os referidos equipamentos que são produtos da administração. Por exemplo, obras como as escolas; unidades básicas de saúde; as praças, obras de drenagem como canalizações; pavimentações de vias públicas e etc. Possui também um mercado consumidor, cem por cento da população consomem vários serviços ou produtos diariamente. São estes “clientes” que avaliam se o produto é bom ou não, se o partido no governo deve continuar ou ser substituído por um que está na oposição. (PINTO; SANTANA, 1998).

E a Prefeitura possui concorrência? Sim, há, diferente daquela existente para a maioria dos bens e serviços. Conforme afirma PINTO e SANTANA (1998), existe competição entre governos. Há uma permanente comparação entre partidos diferentes que comandam governos, que pode ser feita também pelos eleitores, como pela mídia assim como pelos próprios partidos. Essa comparação é fruto de uma disputa permanente, essa competição pode criar uma imagem positiva ou negativa de uma administração. Esta imagem, por sua vez, pode resultar em prestígio e eventualmente, vitórias eleitorais, definindo assim quem ocuparão os cargos de mando no próximo período.

Evidentemente que há diferenças entre uma organização privada de uma não privada ou governamental. Para uma organização não privada como uma Prefeitura, por exemplo, não há lucro, possui apenas resultados intangíveis; seu mercado é conhecido previamente e restrito pelo crescimento vegetativo da população e migrações; o governo é um monopólio temporário, só existe um governo naquele local, durante o período do mandato, pois, não há como consumir os produtos de um governo e preterir os de outro; a troca de comando – o governo – é periódica avaliado e trocado, e só ocorre em datas previamente estabelecidas; a organização não pode ser comercializada, apenas seu comando pode ser alterado. Entre as diferenças, a mais significativa é a troca de comando. Esta alteração é, eventualmente, radical do ponto de vista da quantidade de chefias e, principalmente, em relação a orientação programática, filosófica e de concepções gerenciais. Estas modificações periódicas são diferenças que colocam em cheque os fundamentos de uma organização. Mesmo com estas diferenças, no que se refere à capacidade de responder ao público consumidor ou às condições para aprendizado de uma organização, do tipo governamental, pode ser uma prefeitura municipal pode ser organização que aprende. Portanto se pode aplicar a mesma fundamentação teórica usada para uma organização privada.

A administração pública, em qualquer âmbito é um espaço vital na prestação de serviços para a população, sendo esta sua razão de ser. No caso da Prefeitura Municipal de Canoas, o Governo (2009-2016), tem suas premissas de administração, estabelecidas na prática, de forma programática e por determinação legal, como demonstra o Plano Plurianual (CANOAS-RS, 2009), que é o de constituiu um amplo espectro de opções de relação direta e indireta com a população voltada para atendimentos de demandas para a gestão:

Revela-se, também, no planejamento estratégico, a criação do Instituto Canoas XXI, cuja atribuição propõe-se a desenvolver, implementar e gerenciar ferramentas de suporte à decisão político-administrativa, nas áreas concernentes à gestão urbana desenhando o futuro de Canoas, o Orçamento Participativo, a Plenária de Serviços Públicos, a Prefeitura na Rua, as Audiências Públicas, Conselhos, as Conferências e a Gestão Territorial Integrada, como marco da nova relação que a Administração pretende estabelecer com a cidadania assim como a definição de metas de gestão e construção de indicadores, que aferirão eficácia, eficiência e efetividade da gestão administrativa e o desempenho econômico e social de Canoas. A incorporação de novas tecnologias aos processos de trabalho, possibilitará a adequada identificação dos problemas a serem resolvidos, a formulação de programas eficientes e à concretização de ações que implementem a política desta nova Gestão. (CANOAS-RS, 2009, pag. 6)

As chamadas ferramentas de suporte à decisão político-administrativa ou canais de recebimento de demandas por serviços, já indica a intencionalidade de estabelecer instrumentos ou mecanismos de comunicação através do quais a organização recebe e registra demandas por serviços. Ao mesmo tempo, estes canais são espaços de absorção da realidade e problemas a serem resolvidos com as formulações de programas.

Ao longo do tempo foram implementados diferentes canais ou ferramentas de interação em Canoas. Conforme o OIDP (2014), o Sistema de Participação Popular e Cidadã de Canoas é constituído por Ferramentas de Demandas Coletivas, de Demandas Individuais, Colaborativa e de Concertação. As Ferramentas de Demandas Coletivas são:

  • Orçamento Participativo: ferramenta criada em Porto Alegra e já aplicada em centenas de cidades dos 5 continentes e em constante aperfeiçoamento. Em Canoas é responsável pela definição de obras prioritárias para os Bairros e para a Cidade. Para cada obra definida é constituída uma comissão para fiscalizar o planejamento e a execução da referida obra;

  • Bairro Melhor: a administração divulga edital público contendo projetos de obras para a cidade, no qual o cidadão pode doar até 50% do seu IPTU (Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbano) para o projeto de seu interesse. A administração pública oferece 80% dos recursos necessários para implantação do projeto e a comunidade proponente deve oferecer 20% como contrapartida para assegurar a obra;

  • Polígonos Empresarias: são regiões delimitadas onde se reúnem as pessoas envolvidas com as indústrias (proprietários, gerentes e funcionários) de um determinado território com o objetivo de potencializar o desenvolvimento local, proporcionando maior cooperação e crescimento das empresas. Periodicamente a administração realiza reuniões para receber demandas e responder questões apresentadas pelo público envolvido com as empresas;

  • Plenárias de Serviços: a cada seis meses, geralmente nos meses de Julho e Dezembro de cada ano, o Prefeito e chefes dos órgãos se reúnem com a população para prestar contas do que foi realizado no determinado quadrante da cidade e abrem a palavra para qualquer participante que no “Microfone do Povo”, poderá fazer suas considerações, críticas, demandas, propostas para os problemas levantados e agradecimentos, diretamente ao Prefeito. Cada secretário responde diretamente a cada cidadão e depois o Prefeito faz outras considerações ao que foi apresentado pelos cidadãos. Para a administração é um espaço importantíssimo perceber a avaliação da população sobre o andamento do governo, de colher sugestões, ouvir ideias para formulação de novas políticas e até propostas de soluções de problemas recorrentes.

As Ferramentas de Demandas Individuais são:

  • Audiência Pública: para atender e compreender melhor as demandas dos cidadãos, a administração oferece a possibilidade de audiência com o Prefeito às segundas-feiras. Semanalmente são distribuídas 15 fichas a partir da ordem de chegada. Todos serão atendidos pelo Prefeito, individualmente, diretamente em seu Gabinete, com hora marcada no mesmo dia, à tarde;

  • Prefeito na Estação: para atender a população que tem pouco tempo para se comunicar com a Prefeitura, foi criado o espaço do Prefeito na Estação. A partir das 6:30 até às 8:30 da manhã às quintas-feiras, o Prefeito e a Vice-prefeita atendem diretamente a população em uma das quatro principais estações de trem da Cidade. Em cada quinta uma é definida uma estação para receber o Prefeito, chegando a mais de 70 atendimentos médios por semana. Tudo é registrado e a resposta ou o atendimento da demanda, se possível, é respondida ao demandante, por mensagem de texto ou por telefone, dependendo da complexidade da resposta, em prazo máximo de até dez dias;

  • Prefeitura na Rua: aos sábados, em diferentes pontos da cidade, sempre em uma praça de cada quadrante, o Prefeito e a Vice-prefeita levam toda a sua equipe, Subprefeito, secretários ou diretores para receberem a população local. Cada cidadão solicita fichas para os seus respectivos assuntos e cada um é atendido pessoalmente pela autoridade pública do respectivo órgão. Neste espaço foram agregados também a Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN) e a Sociedade de Ônibus Gaúcha Ltda. (SOGAL), que são empresas de abastecimento de água e transporte municipal, respectivamente, e que estão fora da responsabilidade da municipalidade, mas são temas recorrentes em demandas pela população. Desta forma todos tem acesso direto a todo o governo das 9 às 12 horas para qualquer tipo de demanda ou encaminhamento. Todos os atendimentos são registrados e no primeiro dia útil seguinte tramitados para setores internos até que a demanda seja respondida ao demandante no prazo máximo de dez dias.

A Ferramenta Colaborativa é:

  • Àgora em Rede: é um sistema que oferece contato direto com o Prefeito, Vice-prefeita e Secretários a partir de determinadas datas amplamente divulgadas. Funciona como um bate papo no formato de fórum, permitindo a visualização do interior do local onde o Governo está presente respondendo por escrito, observados em tempo real através da Internet. Conta com capacidade para 30 (trinta) pessoas simultaneamente, que podem discutir diretamente com as autoridades o tema proposto para aquela data e horário.

As Ferramentas de Concertação são:

  • Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social: este conselho reúne 50 (cinquenta) profissionais de diferentes atuações, como educadores, líderes religiosos, médicos, técnicos e políticos para dialogar, de forma colaborativa, para revisar e pensar as políticas públicas do município. Neste espaço se encontram diferentes visões que, aliadas ao diálogo transparente e a política de inclusão, ampliam o debate entre a sociedade canoense e seus interesses;

  • Casa dos Conselhos: a Prefeitura reconstituiu e instituiu mais de 30 Conselhos temáticos que tratam dos mais diversos temas e apontam suas considerações e definem diretrizes específicas para dentro do Governo. Suas atribuições vão desde a fiscalização até definição de diretrizes. São compostos por representantes da população envolvidos, peritos/especialistas no assunto do conselho e integrantes do governo. Possuem reuniões sistemáticas e seus eventos acompanham calendário nacional quando são parte da exigência de leis federais. A Casa dos Conselhos é um espaço oferecido para todos os conselhos e possui recursos humanos e materiais necessários para que o trabalhos dos conselheiros seja realizado com maior efetividade;

  • Congresso da Cidade: O 1º Congresso da Cidade de Canoas ocorreu entre 2010 e 2011, reuniu centenas de pessoas durante um ano num processo de debates onde foram expostos os sonhos para o município para o período de 2011 à 2021. Foram definidas 104 ações estratégicas e 43 iniciativas conformando a Estratégia da Cidade para dez anos;

    • Plano Plurianual Participativo: a elaboração do Plano Plurianual é uma exigência legal, mas que foi transformada em um processo onde a população aponta programas e estratégias a serem implementados pela administração. Foram realizadas, em 2013, assembleias abertas à população para a definição dos investimentos para os anos de 2014 à 2017;

    • Planos Setoriais Estratégicos: são fóruns regionais temáticos a partir dos setores como saúde, educação e segurança. Nestes fóruns regionais são elencados as prioridades e metas estabelecidas pela população para a prestação de serviços destas áreas que são consolidados em uma Conferência final do Planos Setoriais para Cidade


    Além destas ferramentas do Sistema de Participação Popular e Cidadã, há outros mecanismos automatizados e indiretos que foram detectados e de bastante uso na administração. Entre eles, destaco o E-mail do Prefeito; a Página Oficial da Prefeitura; Portal de Transparência; a Central de Atendimento ao Cidadão – CAC; a Prefeitura Itinerante e as Mídias Sociais:

    • E-mail do Prefeito: todo o cidadão pode ter o e-mail do Prefeito para demandar diretamente. Ao receber a mensagem ela é destinada para o chefe do órgão responsável para verificação e atendimento da demanda e responder ao demandante, pelo mesmo canal ou por telefone, dependendo da complexidade da resposta, em prazo máximo de dez dias;

    • Página Oficial da Prefeitura: a prefeitura tem uma página oficial através da qual todo o tipo de informação está disponível, desde a chefia dos órgãos até a localização de cada equipamento público que prestam atendimentos. Neste caso a ferramenta é completamente informatizada e de reposta instantânea. É onde está situado também o Diário Oficial do Município de Canoas (DOMC).

    • Portal da Transparência do Município de Canoas: é uma ferramenta, lançada em maio de 2010, que permite ao cidadão, através da internet, obter qualquer informação financeira do município de Canoas. Tem como objetivo assegurar acesso e a fiscalização da sociedade sobre a boa e correta aplicação dos recursos públicos. O cidadão pode acompanhar as mais diversas ações do governo, a forma como o dinheiro público está sendo utilizado, como por exemplo, as despesas; as receitas; os pagamentos aos fornecedores; contratos com empresas; os convênios firmados; as licitações; os salários de todos os funcionários e agentes políticos; o orçamento e as mais de 600 obras entregues à população da cidade. Este Portal é uma ferramenta premiada em 2015, sendo colocada na terceira posição no ranking geral dos poderes Executivos gaúchos no prêmio Boas Práticas de Transparência na Internet;

    • CAC – Central de Atendimento ao Cidadão: neste setor, localizado no centro da cidade, ao lado do Paço Municipal, todo e qualquer cidadão ou pessoa jurídica, pode abrir processo administrativo para qualquer finalidade e onde se pode anexar qualquer tipo de documento. Este processo é tramitado em tempo real para o órgão responsável pelo assunto demandado. O demandante recebe a resposta diretamente do órgão responsável e o prazo depende de cada assunto, conforme a complexidade;

    • Prefeitura Itinerante: Os serviços de atendimento e abertura de processos administrativos, que é realizado pelo CAC, se desloca durante quatro dias da semana para a periferia da cidade para oportunizar a abertura de processos administrativos a partir de um veículo preparado para este fim. Atende a população que tem mais dificuldade de deslocamento para acessar a administração;

    • Mídias Sociais: é possível se comunicar com o centro do Governo através das mídias sociais e encaminhar suas demandas e obter respostas sobre qualquer situação. O tempo de resposta para estes casos é menor, no máximo em 48 horas.

    Embora não sejam ferramentas com o significado dado neste artigo e tão pouco apontadas no Sistema de participação Popular e Cidadã, entendo como significativo o conjunto de Planos em andamento, em elaboração ou em contratação. Estes planos cumprem papel de parâmetro legal, referência técnica e são produto do envolvimento da população ligada aos temas específicos. Os Planos, segundo informação da Diretoria de Controle e Monitoramento de Demandas/GP são:

    Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental; Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos; Plano Cicloviário; Plano Municipal de Mobilidade Urbana; Inventário de Emissão de Gases de Efeito Estufa; Programa de Monitoramento da Qualidade dos Mananciais; Plano Municipal de Educação; Plano Municipal de Saneamento Ambiental; Plano Municipal de Saúde.

    No funcionamento destas ferramentas se verifica interação de forma DIRETA e INDIRETA. A interação Direta ocorre nos espaços públicos organizados e executados pela administração, sob forma de atividades periódicas e sistemáticas e que, recebem e registram demandas individuais por serviços diretamente do demandante, isto é, pessoalmente. É a ferramenta de interação direta que permite a relação presencial, de acesso individual entre o cidadão e uma autoridade pública. Neste caso, funcionário capaz de decisão e mando para atender ou encaminhar dentro de seu âmbito administrativo, os assuntos ou reivindicações apresentadas pelo demandante. As questões levantadas pelo cidadão são acolhidas, de forma informatizada ou não, e a autoridade pública faz o encaminhamento e registra a demanda para ser monitorada por órgão específico para este fim.

    A interação Indireta ocorre via ferramentas informatizadas, isto é, ferramentas virtuais, portanto sem a presença física do demandante. Pode ocorrer também em instâncias ou espaços públicos, com presença física coletiva, organizados e executados pela administração, sob forma de atividades periódicas e sistemáticas e que, recebem e registram demandas coletivas que tratam de forma geral de serviços; de avaliações de eficiência de setores; de elaboração de soluções; diretrizes; de ações e obras para a cidade ou de planejamento de curto, médio ou longo prazo.

    Todos estes canais possuem caráter transversal, isto é, perpassam as mais diferentes órgãos e instâncias de governo. Exigem dos agentes do governo uma gestão compartilhada e articulada para poder atender a população de forma eficiente e eficaz. Seja pela forma direta ou indireta, todos o canais possuem prazos máximos para que a resposta da organização chegue ao demandante. As respostas são informações prestadas pela administração pública são de forma escrita ou oral; ações de atendimento individuais às demandas; atendimento de forma coletiva com a elaboração de novas políticas públicas; e ainda a busca por ações e programas disponíveis com o intuito de sanar ou atender a demandas da população.

    Em termos do grande volume de demandas, para exemplificar, cito os seguintes dados: Audiências Públicas foram registradas aproximadamente, 3.270 atendimentos desde sua implantação, e em 2014 foram 291 atendimentos; Prefeito na Estação registrou 5.070 desde sua criação em 2013 e só em 2014 foram 2.070 atendimentos e, na Prefeitura na Rua foram 4.211 registros em 2015. Assim, com todas estas ferramentas de participação, de interação com a população, é evidente que esta organização pública governamental, é pressionada diariamente a estabelecer uma nova relação com a população, pelo volume de demandas; pelo grau de exigência da sociedade civil que critica, sistematicamente, ou pela ausência de respostas compatíveis com a necessidade vivida pela população. As demandas fazem pressão às organizações que, de formas diferentes, buscam responder às demandas.

    A busca para estabelecer uma relação com a população por mecanismos modernos é uma necessidade e não apenas vontade do poder público. É um meio de reconhecer a realidade que é absolutamente dinâmica e, ao mesmo tempo, instrumento que enseja um ambiente de aprendizado por parte das organizações que, por um novo grau de exigência da sociedade civil, buscam obter sucesso, como afirmam Franco e Ferreira (2007):

    As organizações, hoje em dia, têm de ser organizações que aprendem, pois para que estas tenham sucesso e consigam sobreviver no contexto actual, têm de comunicar com o meio onde estão inseridas, assim como, com as pessoas que delas dependem e vice-versa. (FRANCO; FERREIRA, 2007, p. 171)

    No que se refere a aprendizagem da organização, entendo que (…) “um dos principais pré-requisitos para uma organização aprender é ampliar sua compreensão da realidade, pelas diferentes perspectivas nas quais pode apresentar-se” (Bastos; Gondim; Loiola, 2004, p. 225), e isso as diferentes ferramentas da Prefeitura Municipal de Canoas oferecem de forma sistemática e organizada. A prática contínua de ouvir, de receber constantemente os consumidores de serviços, materiais ou informações podem alterar o comportamento da organização, suas respostas e até mesmo os mecanismos pelos quais respondem aos demandantes.

    Assim, como afirma Riche e Alto, (2001):

    As organizações que aprendem são formadas por pessoas que expandem, continuamente, a sua capacidade de criar os resultados que desejam, onde se estimulam padrões de comportamento novos e abrangentes, a aspiração coletiva ganha liberdade, e as pessoas exercitam-se, continuamente, em aprender juntas. Essas organizações só podem ser construídas quando entendermos que o mundo não é feito de forças separadas e que, no mundo de hoje, a capacidade de aprender contínua e rapidamente é a única vantagem competitiva sustentável. (RICHE; ALTO, 2001, p. 37).

    A relação permanente e contínua, indireta e direta da organização, gera um ambiente de interação e de troca de informações, condições básicas para engendrar novo conhecimento. Este novo conhecimento, estando a organização aberta e comprometida com a necessidade de atender melhor seus consumidores, poderá dar novas respostas, mais qualificadas e então ser uma organização que aprende. É possível que ser uma organização que aprende seja um desejo de seus gestores e até de parte de seus funcionários, no entanto, só possível identificar uma organização que aprende realmente, se ela consegue alterar a estrutura de respostas aos demandantes a partir dos problemas e da realidade.

Não se trata de alterações pessoais no aprendizado dos indivíduos que compõe a organização, ou seja, não se trata de aprendizado na organização, apenas, pois, as pessoas podem aprender dentro da organização, mas não necessariamente resultará em alterações efetivas na própria organização, sobretudo em uma organização governamental, cujo o mandatário é temporário. O que se procura neste estudo é identificar se a organização aprende com a interação permanente com os demandantes e com a realidade apresentada nesta relação.

Sendo assim, o que se pretende coincide com Eyng quando afirma:

Na realidade, o aprender, significa transformar-se, tornando a empresa mais eficaz no sentido de perseguir os valores essenciais da própria pessoa, grupo social ou comunidade e isso implica em mudanças na própria estrutura de comportamento. (EYNG, 2006, pag. 78)

Quem aprende, mostra na prática, com fatos, com ações o resultado de seu aprendizado. Para uma organização não é diferente. As respostas da organização, neste caso, Prefeitura Municipal de Canoas, são meios de detectar aprendizado dela. Podem ser um simples atendimento de demanda pontual; pode ser uma informação fornecida ou um conjunto de precedimentos que o demandante deve executar para ter seu objeto satisfeito. Pode ser um tipo de resposta que atende a um conjunto de demandantes de forma sistemática e permanente, o que chamamos de política pública.

O tema Política Pública vem sendo discutido na teoria e pela prática política em diferentes esferas, governamentais ou da sociedade civil. Em si as diferentes iniciativas de discutir as políticas públicas, revelam por um lado, que os governos já estão buscando estabelecer políticas de Estado para desenvolvimento e atendimento de demandas com menor característica assistencialista. Por outro lado, a sociedade, de um jeito ou de outro, vem sendo envolvida no controle social e com isso reforça o movimento para tornar a sociedade mais consistente, com maior organização e participação.

O que não se pode perder de vista é a necessidade de atender às demandas da população, que é a essência das políticas públicas. Para RUA, (2009) ao caracterizar política pública, afirma que “a política compreende um conjunto de procedimentos destinados à resolução pacifica de conflitos em torno da alocação de bens e recursos públicos”. Ainda, Política Pública é:

o conjunto de ações coletivas voltadas para a garantia dos direitos sociais, configurando um compromisso público que visa dar conta de determinada demanda, em diversas áreas. Expressa a transformação daquilo que é do âmbito privado em ações coletivas no espaço público”.(GUARESCHI et al., 2004, p. 180).

A política pública compreende um elenco de ações e procedimentos que buscam resolver conflitos ou demandas envolvendo bens e recursos públicos, sob controle da administração pública e de outras instâncias de fiscalização da aplicação da própria política. O processo e a dinâmica real de constituição de uma política pública passa por diferentes esferas. São quatro momentos por onde passam a elaboração de uma política pública capaz de responder a uma demanda: o processo eleitoral; o envolvimento orgânico entre a demanda, os beneficiários e o controle social; elaboração de projeto e sua aplicação; e por fim a institucionalização de ação permanente.

Na origem de uma política pública está o processo de elaboração de um programa eleitoral que, no caso do Brasil, os agentes políticos, ainda na condição de candidatos, apresentam aos eleitores. Neste momento já demonstram a intencionalidade, a disposição e, eventualmente, a forma como pretende abordar determinados problemas. Mas é o contato com a realidade, a interação direta com os problemas sistemáticos vividos pela população é que geram as condições para a transformação da intensão teórica de ação, da vontade explícita no papel – programa de governo futuro – para um conjunto de procedimentos – projeto prático. A partir da aplicação e de seus ajustes pelo aprendizado da organização, é que teremos o início da fase final que é sua institucionalização definitiva. A Institucionalização de uma política pública passa por deferentes fases. Num primeiro momento é sua passagem para uma marca política da organização através da publicidade e mobilização para sua efetivação e crescimento enquanto tal; busca aceitação dos beneficiários e das eventuais instituições parceiras da ação ou projeto já em andamento. A segunda fase seria o enraizamento da política pública, isto é, buscar organização na sociedade civil, na forma de associações ou de mecanismos de controle social, para que ela se aproprie da política pública em si, não só como necessidade eventual, mas como ação permanente até que sua razão de ser desapreça. Vencidas as condições de aceitação, de apropriação pela sociedade civil, vem o momento de sua formalização, que pode ser a inclusão em uma ação interna de uma estrutura governamental que lhe dê suporte humano e financeiro de forma permanente ou, ainda, uma formalização legal via legislação que, necessariamente, supõe as fases anteriores atendidas. Como afirma Schiochet, (2009) ao abordar as necessidades de institucionalização da política pública da Economia Solidária no Brasil:

Porque a institucionalização da política não é legalizar a política simplesmente, é criar aquelas condições da chamada hegemonia da economia solidária, ou capacidade que a economia solidária tem de certa direção cultural e moral sobre a sociedade e sobre os governos para a implementação de sua política. A lei por si só é importante, mas não resolve o problema da institucionalização. Porque a institucionalidade não se resume à legalização: corresponde também à criação das condições políticas para que qualquer governo fique constrangido do ponto de vista social e moral a implementar um conjunto de ações de apoio à economia solidária. (SCHIOCHET, 2009, p. 59)

Só então teremos uma política pública, que vai gerar novo conhecimento, nova realidade, sofrendo críticas e fiscalização de instâncias externas – o chamado controle social – para ser cobrada pela continuidade das ações que englobam a política pública. Portanto nem toda decisão de Governo é uma política pública. Existem diferenças entre decisões políticas e políticas públicas. A primeira é a definição de uma ação para o atendimento das necessidades da população ou uma ação de governo. A segunda se relaciona com uma situação de defesa de direitos, situações de igualdade não atendidas e que a política pública resgata o direto, viabiliza uma situação de igualdade que de alguma forma havia sido suprimida ou que a população nunca fora atendida. Por exemplo, a política de acesso a moradia ou a segurança alimentar através de um programa de forma continuada, é bem mais que uma decisão política, é uma política pública que atende um determinado segmento da população que não tinha acesso a um direito elementar.

O Sistema de Participação Popular e Cidadã de Canoas, materializada por suas ferramentas, é coerente com a proposta governamental que, gradativamente, vem se tornando política pública ao longo de sua implantação. Ao mesmo tempo, as ferramentas criadas dentro de suas estruturas e outras adaptadas e aplicadas, inundaram o aparelho de estado municipal com as necessidades e com a realidade da cidade, criando uma relação orgânica entre o aparato estatal e a sociedade civil. São estas as condições essenciais para geração de novo conhecimento e aprendizado por parte da organização.

Na perspectiva de buscar o padrão de resposta da administração pública de Canoas no atendimento das demandas, sete critérios básicos foram estabelecidos para a definição da ferramenta a ser analisada:

  • criada pela administração;

  • mais antiga implantada pela gestão 2009-2016;

  • ocorre de forma sistemática;

  • atinge todas as regiões da cidade;

  • tem relação direta, presencial entre população e autoridades públicas;

  • maior número de atendimentos.

  • mais consolidada institucionalmente.

A “Prefeitura na Rua” é o instrumento mais emblemático de participação popular e que atende a todos critérios. Ela foi criada e implantada pela administração em 3 de janeiro de 2009 e por isso enraizada tanto no interior da administração como junto da população. Desde sua implantação já registrou 28.548 demandas até 12 de dezembro de 2015, envolvendo milhares de cidadãos. Até 26 de abril de 2013 o controle de demandas era manual através de fichas preenchidas no atendimento de cada demanda, depois passou para o registro e controle informatizado garantindo mais agilidade no processo de avaliação de pendências.

A pesquisa foi realizada com base no Relatório de 2014 da Prefeitura na Rua fornecido pela Prefeitura Municipal de Canoas. Para análise de dados quantitativos desta ferramenta, o Relatório aborda a totalidade de atendimentos de 2014. Neste relatório estão contidos os seguintes dados: o objeto do registro que é a demanda em si apresentada pelo demandante; o atendimento ou a resposta fornecida pela administração em relação ao demandante e o tempo de tramitação do registro até a resposta ao demandante. No ano de de 2014 foram registradas 2.983 fichas válidas de atendimentos.

A administração pública estabeleceu um prazo político de no máximo dez dias seguidos para que o cidadão seja contatado e informado sobre a possibilidade de atendimento ou orientação para que a demanda prossiga. Esta resposta não representa, necessariamente, o atendimento da demanda, mas um satisfação ao cidadão relatando que o tema foi indeferido ou deferido. Se deferido a resposta consiste em que condições (procedimentos e data) poderia ser atendido. Entretanto, a natureza das demandas apresentadas possuem exigências de diferentes prazos legais estabelecidos por legislação federal, estadual ou municipal, que precisam ser respeitados. Por exemplo, a limpeza de resíduos de um terreno baldio pode levar 120 (cento e vinte) dias para o cumprimento dos prazos legais. Há casos de que a demanda exige procedimentos lentos como, por exemplo, obtenção de vagas ou do andamento de listas de espera em determinados serviços. Além disto as condições de operação da ferramenta informatizada não responde com agilidade e, então, o registro e a tramitação da demanda pode ser retardados. Diferentes razões dificultam o atendimento no prazo: a) a dificuldade de acesso à internet, pois, o evento se realiza ao ar livre em pontos remotos da cidade; b) imperícia técnica na operação do sistema informatizado por parte de funcionários; c) pelo acúmulo de centenas de demandas e procedimentos originados nesta e em outras ferramentas de participação; d) no caso de denúncias que precisam ser verificadas na sua procedência, investigadas, e até mesmo visitas ao endereço do demandante, para só então dar resposta ao demandante; e) por haver necessidade de agendamento de reuniões internas ou com o público externo para maiores esclarecimentos e definições conjuntas e tantas outras situações. Por esta razão a sistematização neste estudo, está definido como prazo de até 30 (trinta) dias como tempo razoável para responder ao demandante.

Os meios de resposta ao demandante apresentou variações. Os meios usados são contato por telefone fixo ou celular; por SMS (short message service) conhecida como “serviço de mensagem de texto”; por correio eletrônico de mensagem (e-mail) ou ainda simplesmente o atendimento da demanda.

Para a quantificação e qualificação das respostas recebidas pela população foi estabelecido 3 (três) níveis:

  • Resposta A: é a solicitação atendida em sua plenitude, isto é, o objeto pretendido pelo cidadão atendido ou encaminhado para seu atendimento dentro dos parâmetros legais de prazos e dos recursos existentes. A resposta do tipo A é prestada em até 30 (trinta) dias. Dentro deste item há uma subdivisão que são aquelas que foram atendidas para além do prazo de 30 (trinta) dias estabelecidos pela sistematização;

  • Resposta B: são as informações, orientações recebidas pelo cidadão, ou ainda, encaminhamento para outro setor interno ou diferentes órgãos da administração para o atendimento pretendido. Da mesma forma, a resposta do tipo B é prestada em até 30 (trinta) dias. Dentro deste item há uma subdivisão que são aquelas que foram prestadas para além do prazo de 30 (trinta) dias estabelecidos pela sistematização;

  • Não Respondida: neste caso são aquelas demandas que possuem problemas de registro, contendo dados com erros de digitação ou mesmo problemas nos dados fornecidos pelos próprios demandantes. Entre os problemas mais comuns se verificam as ausências ou erros em dados que permitem acesso ao demandante; erro no número do telefone; endereços de residência sem parâmetros adequados para a localização ou ainda ausência ou erro de digitação do e-mail. Há a possibilidade de ter havido o atendimento sem que o mesmo fosse registrado no sistema corretamente antes de seu arquivamento. Dentro deste grupo também se constatou registros cujo o relatório é insuficiente para detectar a razão pela qual não houve a resposta.

A administração responde:

Ao analisar o Relatório de 2014, considerando o conteúdo das respostas classificados nos critérios e nos parâmetros para a sistematização, se observa uma enorme preocupação em responder a todas as demandas apresentadas. O ano de 2014 foi analisado de forma detalhada e individualizada em todos os registros de respostas. Portando, de todos os registros do ano de 2014, as Respostas tipo A e B, juntas, representaram 88,54% das respostas são efetivas. Significa que as demandas foram plenamente atendidas ou foram respondidas com informação, com orientação ou ainda com um encaminhamento objetivo para resolver a demanda. Deste percentual, Respostas do tipo A e B, somadas, 59,19% foram respondidas no prazo adequado.

Portanto, de todas as respostas do já referido Relatório de 2014, 7,95% são do tipo “Não Respondida” por erros ou ausência de dados de localização do demandantes como número do telefone, endereço ou e-mail. E em apenas 3,52% dos registros não houve resposta por não foi possível apurar no relatório os motivos da ausência de resposta. Portando fica nítido de que a organização, em todos os setores, tem como rotina de trabalho o acompanhamento permanente dos registros com objetivo garantir retorno ao cidadão. Percebe-se de que a ideia de responder ao cidadão é orientação institucional, preocupação permanente das autoridades públicas durante os eventos de participação popular como a Prefeitura na Rua e possivelmente, das demais ferramentas do Sistema de Participação Popular e Cidadã.

É neste espaço que se gera o ambiente de escuta, de diálogo sobre os verdadeiros problemas que a população enfrenta diariamente. As respostas transmitidas ao cidadãos, autoridades políticas ou funcionários, demonstram nitidamente que há domínio sobre os serviços, produtos e procedimentos necessários a serem praticados. Se observa preocupação em atender. Todos mostram envolvimento nas respostas diretas, objetivas e com justificativas aos atendimentos, sejam eles deferidos ou não.

Em si, estes dados são limitados, se não houver busca permanente por compreender os avanços e limitações da organização. Como parte integrante deste sistema, é realizado o chamado Ciclo Avaliativo semanal. O Ciclo inicia, sob a responsabilidade de setor específico – Diretoria de Controle e Monitoramento de Demandas (DCMD) – que, a partir de uma amostragem das demandas da semana anterior, avalia as pendências por órgãos. Neste setor o conteúdo é discutido e determinados encaminhamentos são definidos para resolução de problemas imediatos e outros estruturais que carecem de maior elaboração. O material produzido a partir do conteúdo relevante é transformado em apresentado e analisado, coletivamente, em Reunião de Secretariado, coordenada pelo Prefeito e com a presença de todos os órgãos representados por seus secretários. Este é o mecanismo encontrado para acompanhar o conteúdo das demandas e diagnosticar problemas e pendências. Esta reunião é parte de um conjunto de instâncias que tem como objetivo, entre outros, a socialização de dados e informações buscando a simetria e visão ampliada da administração. Estas instâncias são a reunião mensal do Secretariado Ampliada que participam secretários, adjuntos e assessores de cada órgão da administração e a Reunião Geral de Governo, semestral, composta por todos os colaboradores de funções de comando e estratégicas.

Outro tipo de resposta são as políticas de grande impacto, entre as quais sito três:

  • Canoas Saúde: Neste programa destaco o Teleagendamento. É um sistema implantado em 2012 com a finalidade central de eliminar as filas de espera que se formavam durante a madrugada nas Unidades Básicas de Saúde para marcação de consultas. Para uma única consulta era comum o cidadão ficar exposto às intempéries por mais de cinco horas. Toda a população de Canoas pode fazer parte, mediante cadastramento e sem custo. Hoje são mais de 175.000 cadastrados e o tempo de para marcação de consulta a partir de telefone 0800 é de quinze minutos, sem que o cidadão se desloque e, ainda, fornece mensagem via SMS (serviço de mensagem de texto) para o telefone celular cadastrado lembrando o cidadão, 24 horas antes, da data e hora de sua consulta. Filas eliminadas e, ao mesmo tempo, a administração passou a ter informações precisas do número de consultas necessárias em especialistas por dia em tempo real, qualificando o sistema de informações para o atendimento de consultas com especialistas.

  • UPA do Idoso: As Unidades de Pronto Atendimento reestruturaram o sistema de saúde em todo o país, passando a atuar entre as Unidades Básicas de Saúde e os Hospitais. Canoas foi além, para atender um público diferenciado nas possibilidades e necessidades, criou a UPA do idoso, com atendimento apropriado à esta fase da vida, assim passou a atender uma crescente faixa etária. Foi a primeira implantada no país. O atendimento nesta UPA, para pacientes de mais de 60 anos não há marcação de consulta com clínico geral e dentista, tudo é disponível para urgências e emergências. Esta UPA é totalmente financiada pela administração pública local.

  • Saúde em Casa: outra política aplicada na cidade foi o sistema de entrega de medicamentos de uso continuado. Para os idosos que são usuários de medicação continuada não precisa se deslocarem na farmácia básica para a retirado do medicamento, recebe em casa mensalmente. Em setembro de 2015 eram 1.175 idosos inscritos neste sistema.

Estas políticas criadas e implantadas, como a UPA do idoso em 2012 ou implantadas como o teleagendamento em 2012 e Saúde em Casa em 2014, são respostas coletivas para segmentos numericamente significativos. Elas não surgem ao acaso, são resultados da capacidade de identificação correta das necessidades da população e percepção adequada da realidade. São respostas que visam atingir problemas identificados como as longas e tenebrosas filas para marcação de consultas nas unidades de saúde; a dificuldade de locomoção de idosos para a retirada da medicação ou atendimento médico, por exemplo. Afinal, “um dos principais pré-requisitos para uma organização aprender é a ampliação da compreensão da realidade, nas diferentes perspectivas em que ela pode se apresentar”. (Bastos; Gondim; Loiola, 2004, p. 225)

As respostas e as políticas públicas desta organização revelam prática constante em, por um lado, de construção de uma cultura de participação e, por outro lado, busca permanente de aprendizagem, de interação, de colaboração, de compreensão, de estabelecer confiança e envolvimento com as pessoas, entre colaboradores e consumidores. Há mobilização e publicidade permanente junto da população para que os serviços e as políticas sejam usadas e incentivo para a participação popular. O Jornal da Prefeitura – Canoas, (2015) é distribuído semanalmente, em todas as residências, contendo a programação semanal, publicidade das ações e obras da administração e destacando as políticas públicas em andamento. Este Jornal já esta na edição 190 e no 7º ano com tiragem de noventa mil exemplares. Além disto, também semanalmente, faixas são fixadas no entorno do local dos eventos. No caso do Prefeito na Estação, doze horas antes do evento e durante a realização, uma equipe distribui material de mobilização, além das faixas colocadas vinte e quatro horas antes. Para a Prefeitura na Rua, por exemplo, além das faixas colocadas setenta e duas horas antes nas proximidades do local, cartazes são fixados em pontos de grande circulação da população local e uma equipe orienta e mobiliza os moradores para a participação da população, nas proximidades do local onde ocorrerá o evento.

Toda essa relação com a população, esta imersão na realidade é útil se a organização for capaz de passar do conhecimento da realidade para o comprometimento; do aprendizado para a ação; da análise para a criação; da invenção para a inovação. É assim que:

os indivíduos passam a perceber a realidade de uma nova maneira, novas crenças e premissas começam a se formar, o que permite o desenvolvimento adicional de competências, na forma de novos conhecimentos, habilidades e atitudes”. (GUIMARÃES et al., 2003, pag. 114)

Franco e Ferreira (2007) estabelecem um modelo conceitual nas quatro dimensões formada pela “cultura organizacional; desenho organizacional; partilha da informação e liderança” (FRANCO; FERREIRA, 2007, p. 177). A partir do que já foi demonstrado, pode-se afirmar que a organização em tela se destaca em características nas dimensões propostas por Franco e Ferreira (2007): na participação popular; no diálogo; na comunicação; na mudança; na comunicação; criatividade; inovação; na proatividade; capacidade de assimilação, adaptação e forte colaboração de gestores e um trabalho em equipe com ênfase na ação transversal em relação ao tema e às estruturas internas; no comprometimento da liderança; na gestão participativa e compartilhada; atribuição e divisão de poder delegados; na partilha de conhecimento com a busca da simetria de informações e iniciativas.

Na se trata de identificar características de indivíduos na organização, pois, uma organização que aprende representa bem mais do o somatório das aprendizagens individuais poderia proporcionar. Pelo fato de que esta organização instituiu um conjunto de ferramentas e políticas públicas para interagir, dialogar, gerir e produzir novos conhecimentos, já é uma demonstração de que ela possui a possibilidade de apender enquanto organização. Portanto o que é fundamental avaliar é se a organização possui capacidade efetiva de responder e com mais agilidade às necessidades dos seus cidadãos.

Considerações finais:

Uma organização que aprende é aquela que altera e aperfeiçoa continuamente sua prática, interna e externa, dentro de sua missão e de seus objetivos, na perspectiva de atender seus consumidores em patamares crescentes de qualidade e agilidade. O palco de atuação de uma organização que aprende é a realidade, o contato orgânico com as necessidades, com as contradições, críticas e sonhos de seus colaboradores e consumidores, pois, são as contradições, as crises e o enfrentamento de problemas e desafios, as fontes criativas da superação.

A Prefeitura Municipal de Canoas é uma organização que foi alterada completamente na forma de atuar a partir de 2009, desde sua relação com o público interno e externo até a incorporação e criação de novas tecnologias. Seu comportamento interno se estabeleceu em níveis mais coletivos e horizontais, sem contudo, perder a hierarquia funcional. Do ponto de vista externo, aproximou-se da realidade da população de forma permanente e sistemática, submetendo-se às críticas; planejando o futuro de curto, médio e longo prazo; e ainda criou espaços para aprimorar a prestação de serviços sob o controle da população, materializada pelo Sistema de Participação Popular e Cidadã. Esta nova prática atingiu, sem dúvida, todos os segmentos funcionais da administração. As políticas públicas criadas e implantadas foram ajustadas para as necessidades locais e já produzem resultados que são alvo de aprimoramento, como é o caso do processo de respostas aos cidadãos no Prefeitura na Rua, que exige avanços no sistema informatizado de controle e na coleta de dados.

No entanto, trata-se de uma organização pública governamental, uma instância de governo local que possui, entre suas características, a troca periódica de comando. Esta troca de comando é, principalmente, avaliação dos resultados obtidos ao longo de mandatos, estabelecidos legalmente à cada quatro anos. Esta avaliação é o processo eleitoral que definirá nova gestão da organização. Neste caso, a institucionalidade das políticas públicas estará sob instabilidade, podendo não se perpetuar.

Portanto é possível afirmar que a Prefeitura Municipal de Canoas, sob a gestão de 2009-2016 é uma organização que aprende e que, por ser uma organização governamental, que altera significativamente o seu comando periodicamente – diferentemente de uma organização privada – terá, a partir de 2017 a possibilidade de demonstrar que a organização enquanto tal, é, de fato, uma organização que aprende.

Referências:

BASTOS, Antonio Virgílio Bittencourt; GONDIM, Sônia Maria Guedes; LOIOLA, Elizabeth. Aprendizagem Organizacional versus Organizações que Aprendem: Características e Desafios que cercam essas duas Abordagens de Pesquisa. R.Adm., São Paulo, volume 39, nº.3, p.220-230, jul./ago./set. 2004 Disponível em Acesso em 12 de dezembro de 2015.

CANOAS-RS. LEI Nº 5.394 de 25 de junnho de 2009. DISPÕE SOBRE O PLANO PLURIANUAL PARA O QUADRIÊNIO 2010-2013. Disponível em: paginadinamica/2881/PPA.pdf> Acesso em: 21 de novembro de 2015.

EYNG, Ivanilde Scussiatto. O IMPACTO DAS “CINCO DISCIPLINAS” DE PETER SENGE NA COMPETITIVIDADE DA EMPRESA: O CASO DE UMA REDE DE LOJAS DO SETOR COMERCIAL. UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS PONTA GROSSA – MAIO – 2006, p. 78. Disponível em: Acesso em 05 de outubro de 2015.

FRANCO, Mário José Batista; FERREIRA, Tânia Sofia da Costa. Um estudo de caso sobre as organizações que aprendem. COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL E GESTÃO, 2007, VOL. 13, N.º 2, 169-189 Disponível em: <http://docplayer.com.br/22984-Um-estudo-de-caso-sobre-as-organizacoes-que-aprendem.html> Acesso em: 05 de outubro de 2015.

GUARESCHI, Neuza; COMUNELLO, Luciele Nardi; NARDINI, Milena; HOENISCH, Júlio César. (2004) Problematizando as práticas psicológicas no modo de entender a violência. In: Violência, gênero e Políticas Públicas. Orgs: Strey, Marlene N.; Azambuja, Mariana P. Ruwer; Jaeger, Fernanda Pires. Ed: EDIPUCRS, Porto Alegre. 2004.


GUIMARÃES, Tomás de Aquino; ANGELIM, Gustavo Pereira; SPEZIA, Domingos Savio; ROCHA, Gerlane de Azevedo; MAGALHÃES, Rodrigo Gomes. Explorando o construto organização de aprendizagem no setor público: uma análise em órgão do Poder Executivo Federal brasileiro. Organizações e Sociedade. v. 10, n. 27, p. 111-125, mai./ago. 2003. Disponível em . Acesso em 13 de dezembro de 2015.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Rio de Janeiro: CIDADES@, 2015. Disponível em: <http://cod.ibge.gov.br/232NV> Acesso em 17 de dezembro de 2015.

JORNAL DA PREFEITURA DE CANOAS. Canoas-RS: PREFEITURA MUNICIPAL DE CANOAS. 2015, Edição 190, Ano 7. Semanal.

OIDP.

Para o mal, a elite não te faltará, brasileiro!

Mãe, aqui estamos vivendo sob novo golpe, por enquanto, sem censura e sem armas nas ruas.

A elite brasileira é boa nisso e agora comemora sem vergonha com fogos como se festa fosse.
Para o mal, a elite não te faltará, brasileiro! Esta frase é minha, mas qualquer um poderia concluir e construí-la, após ler a história do Brasil.

A elite portuguesa, a mando da corte, ao chegar aqui em 1500 se apropriou de algo que não era seu, implantou conceito de propriedade privada onde não existia e tão pouco isso era compreendida.

A elite que se construiu pela extração das pedras preciosas, não só usou índios e negros como levou a riqueza embora destas terras.

A elite mudou-se, fugiu da luta na Europa dominada pela elite francesa e veio para o Brasil em 1808 para mostrar para a elite tupiniquim como se explora de forma eficiente.

A elite resolveu ficar, mas claro, com sua representação oficial de sangue azul em 1821, D. Pedro, que virou Pedro I e se aliou com a elite internacional em crescimento, a inglesa.

A elite, implanta sua verdade máxima em 1822: “Façamos nós antes que o povo a faça”, Então proclama a independência contra a população pobre quando já havia partes livres no Brasil. Começa aí nossa dívida externa com Pedro I como avalista. Agora a elite portuguesa se mistura com a elite tupiniquim e o mal fica Nacional.

A elite descontente com Pedro I resolveu dar um golpe em si mesma e implantou o parlamentarismo primitivo com Feijó para tutelar o Pedro II, aprendiz de elite ainda não preparado em 1840.

A elite vai à guerra contra o Paraguai para exercer sua vingança e se tornar uma elite imperialista na América do Sul com alianças com outras elites subalternas.

As crianças aprende o que fazemos e não o que dizemos!

No dia da Criança, dê um presente de verdade. Estabeleça um compromisso contigo mesmo de ter uma prática ética, adequada, justa. Ela vai aprender isso e não o que falares. A frase: “A prática é o critério da verdade”, atribuída a Mao Tsé-Tung, é uma verdade ainda hoje no século XXI.

De onde as ameaças chegam?

O fato é que as ameaças à sobrevivência das organizações e das sociedades não provêm de eventos súbitos, repentinos, mas de processos lentos e graduais; a corrida armamentista, a degeneração do meio-ambiente, a decadência do sistema educacional público, a obsolescência do capital físico e o declínio da qualidade dos produtos são todos processos lentos e graduais.

A PARÁBOLA DO SAPO ESCALDADO
A inadaptação às crescentes ameaças à sobrevivência aparece com tanta constância nos estudos sobre fracassos empresariais, que deu origem à parábola do “sapo escaldado”. Se você colocar um sapo dentro de uma panela de água fervendo, ele tentará sair imediatamente. Mas se você o colocar em água a temperatura ambiente, e não o assustar, ele ficará quieto. Se você aumentar gradativamente a temperatura da água, acontecerá uma coisa muito interessante: quando a temperatura subir de 20 para 30 graus, o sapo não fará nada – na verdade, até se mostrará satisfeito. À medida que a temperatura for aumentando, o sapo ficará cada vez mais grogue, até não ter mais condições de sair da panela. Embora não haja nada que o prenda, o sapo ficará na panela, sendo escaldado. Por que? Porque o mecanismo interno do sapo para detectar perigos é regulado para mudanças súbitas em seu meio-ambiente, e não lentas e graduais.
A QUINTA DISCIPLINA, de Peter Senge